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Stevens Vaughn na Bienal de Curitiba’17

Os cinco elementos, a simbologia tradicional chinesa e as cores marcam trabalho de Stevens Vaughn na Bienal de Curitiba’17

As cores vibrantes de Stevens Vaughn são um dos destaques da Bienal de Curitiba’17, que abriu ao público no dia 1 de outubro. Seu trabalho, que compõe a mostra Antítese Imagens Síntese, com curadoria de Massimo Scaringella, é uma agradável surpresa para os olhos. No centro da sala, um imenso trono dourado aguarda o espectador. Estrategicamente instalado para ser apreciado, tocado e utilizado pelo visitante.

Vaughn é um pintor ritualista que trabalha com água e pigmentos para revelar o que chama de linguagem da água.  Influenciado pelos estudos de filosofia japonesa e chinesa, que consideram a importância da imperfeição para chegar-se à perfeição, Stevens Vaughn desenvolveu uma técnica muito própria de trabalho, “respingando” água – elemento primordial – e pigmentos coloridos para criar formas e movimento. Cada obra é produzida seguindo um ritual performático que procura expressar um pensamento não-verbal.

Influência oriental

“Tenho um fascínio por rituais. Um ritual cria o sentido de ordem na minha existência, o mistério é a essência do meu ser”, diz o artista, natural dos Estados Unidos, mas que dedicou a maior parte de sua vida e atuação artística a vários países da Ásia. Hoje vive em Hong Kong.

Na visão do curador Massimo Scaringella, Vaughn filtra a realidade através da percepção dos sentidos e dos elementos e cores, uma evidente influência oriental. Para Alfredo Varas, diretor da Fundação Hafnia responsável pela vinda do artista ao Brasil, o trabalho do americano trazido a Bienal que homenageia a China está entre o que há de mais oriental em toda a mostra.

Documentário

Sua técnica foi retratada no filme experimental “After Nothing”, do italiano Gianfranco Valleriani, exibido na abertura da Bienal de Curitiba este ano, em 1º de outubro, na própria mostra. A partir de pesquisa sobre a narrativa visual da arte, o vídeo é dividido em cinco capítulos, seguindo a filosofia do feng-shui e o número de cores asiáticas usadas por Vaughn, retratando as cores e a vida do artista.

O filme foi produzido pela Fundação Hafnia, da qual Vaughn é um dos fundadores, criada para apoiar projetos e artistas de todas as nacionalidades, religiões, sexualidade ou quaisquer outras diferenças, na busca da liberdade e da diversidade cultural. A coleção da Hafnia inclui esculturas, pinturas e cerca de 6 mil cartazes de propaganda chinesa da década de 50 até os anos 80.

Essência irônica e colorida

Descrevendo o trabalho de Stevens Vaughn, a revista italiana de arte contemporânea Juliet afirma que as obras exprimem um sentido da essência visual, “aparentemente confusa, mas estruturalmente ligada a uma visão irônica e colorida da vida”, expressão emotiva e cultural baseada numa sólida realidade.

Segundo a revista italiana, no ritual, a técnica de “respingar” não significa jogar as cores de forma casual ou aleatória. O que parece não ter sentido é baseado em pesquisa rigorosa, e as gotas de pigmento dão origem a diferentes formas, dependendo do gesto e do impacto das gotas na superfície.

“Para mim, arte é alquimia”, diz o artista, para quem fazer arte significa transformar o ordinário em extraordinário; produzir ouro a partir do barro, papel, tecido… “A arte é melhor quando vemos e sentimos algo sem a necessidade de definição”.

Obras do artista americano Stevens Vaughn estão em exposição no MON e fazem parte da Bienal de Curitiba 2017

| Stevens Vaughn

A carreira de Vaughn começou em 1984, quando fez seus primeiros trabalhos em vidro em Taiwan. A partir de então desenvolveu carreira como designer, incluindo trabalhos para marcas norte-americanas como Neiman Marcus, Bloomingdales e Gumps, criando produtos em Limoges (França) e em Murano (Itália).

Em 1988, contratado como vice-presidente da renomada marca de design Fitz and Floyd, foi ao Japão para estudar escultura e pintura. Foi então que desenvolveu a percepção de como “a imperfeição é essencial para criar um estado de perfeição”. Naquele período, trabalhou com cerâmica e porcelana na Coréia, Taiwan, Indonésia e China; em 1991 passou um ano em Cuernevaca (México), desenvolvendo trabalhos em porcelana com base no que havia aprendido na Ásia.

A partir de 1992, dividiu seu tempo entre o Sri Lanka, China e Japão até 1996, quando se mudou para a ilha de Xiamen, na China. Ali liderou o desenvolvimento da arte da porcelana nas cidades de Chaozhou e Dehua, o que o qualificou para dar aula na Central Academy of Art Beijing. Em parceria com o lendário escultor dinamarquês Bjorn Norgaard, Vaughn desenhou o sarcófago de cristal da rainha da Dinamarca.

Obras de Vaughn foram apresentadas na 56ª Bienal de Veneza na Itália e na Bienal do Fim do Mundo na Argentina e no Chile. Suas exposições individuais mais recentes incluem O corante que flui, Pavilion of Fine Arts, Buenos Aires 2017; The Rebirth of Color, National Gallery, Sofia 2016. Ele participou de muitos shows em grupo, incluindo Rolling Snowball / 9, Djúpivogur, Islândia 2017; Fusion – A Exposição Internacional de Arte Cerâmica Contemporânea, Museu de Arte da Universidade das Artes de Nanjing 2017.


| Bienal de Curitiba’17